Nova HQ de André Diniz se passa durante revolta da vacina de 1904

Na obra editada pela DarkSide, acompanhamos a trajetória de Zelito, um jovem ilustrador cearense que parte para o Rio de Janeiro e tem seis meses para provar ao pai que poderá construir uma carreira de futuro

Por incrível que pareça, em pleno século 21 vivemos um período de negacionismo da ciência e movimentos contrários à vacinação. Assemelha-se a 1904, quando a população se revoltou contra a vacina compulsória, idealizada pelo sanitarista Oswaldo Cruz.

É com esse pano de fundo histórico (início do século 20) que se passa a nova HQ do renomado quadrinista André Diniz: “Revolta da Vacina”, em lançamento da DarkSide Books. Essa obra cai como uma luva nesses tempos perigosos de 2021, em meio à pandemia de Covid-19.

Mas Diniz, autor de mais de trinta obras, entre elas “Morro da Favela”, e vencedor de inúmeros prêmios como roteirista e ilustrador de histórias em quadrinhos, explora outra pandemia. Na obra, acompanhamos a trajetória de Zelito, um jovem ilustrador cearense que parte para o Rio de Janeiro e tem seis meses para provar ao pai que poderá construir uma carreira de futuro. Na capital, enquanto procura trabalho como cartunista nos jornais, ele se envolve nas manifestações que iriam culminar na rebelião que sacudiu a cidade naquele ano de 1904.

Naquela época, o Brasil vivia uma crise social e sanitária. Enquanto o país tentava se ajustar à recente mudança de sistema de governo, de Império para República, proliferavam-se as moléstias causadas pelo saneamento precário, e por mosquitos e ratos, como a varíola, a febre amarela e a peste bubônica. O epicentro da crise era a então Capital Federal do país, a cidade do Rio de Janeiro, em que essa crise social se transfigurava em uma crise urbanística. O Rio era uma cidade caótica, de urbanização colonial, despreparada para comportar a própria população, que crescia cada vez mais.

Além de destino de emigrantes de todas as partes do país e do mundo, no alvoroço de seu ambiente social coabitavam os herdeiros da escravidão, recém-libertos, e uma elite que buscava repelir toda a cultura não dominante, ou seja, dos pobres e de matriz africana. Nada que não tenha persistido – ou se intensificado – com a passagem do século. A solução encontrada para a crise urbanística foi uma reforma geral na cidade, em que os moradores de cortiços foram escorraçados para os morros da cidade. A solução para a epidemia foi a vacina compulsória, idealização do sanitarista Oswaldo Cruz, o que gerou uma revolta na população.

PRIMEIRA
“Revolta da Vacina” é a primeira obra de André Diniz a integrar o catálogo da DarkSide, e esta edição especial conta com uma vasta seleção de charges da época a respeito da vacinação obrigatória, além de Posfácio do historiador Luiz Antonio Simas.

“Sem qualquer esclarecimento sobre a eficácia da vacinação, a população sabia apenas que brigadas de vacinadores, acompanhadas por policiais armados, teriam autorização para violar residências, vacinar as pessoas e prender os que se recusassem a tomar a danada. Até mesmo Rui Barbosa declarou que ninguém teria o direito de contaminar o próprio sangue com um vírus. Imaginem então o que achava a população mais pobre e afastada da educação formal. Àquela época, o próprio princípio da vacinação era polêmico”, diz Simas.

Com uma pesquisa meticulosa, “Revolta da Vacina” é um documento da persistência de nossas mazelas históricas, que vai informar tanto o jovem leitor em um primeiro contato com o tema, como aqueles já familiarizados com a história.

Capa da obra editada pela DarkSide para o mercado brasileiro (Foto: Divulgação)

AUTOR
André Diniz é roteirista e ilustrador de histórias em quadrinhos. Nasceu em 1975 no Rio de Janeiro e mora em Portugal desde 2016. Entre 2000 e 2005, publicou diversos trabalhos pela Nona Arte, sua própria editora. A partir de então, passou a publicar suas obras por outras editoras, somando mais de trinta títulos de sua autoria, várias delas premiadas, seja como roteirista, seja como ilustrador dos próprios roteiros.

Diniz foi editado em diversos países, entre eles França, Inglaterra, Portugal e Polônia. Entre seus trabalhos mais conhecidos, estão “Fawcett” (2000, com arte de Flávio Colin, ganhador do prêmio Ângelo Agostini), “7 Vidas” (2009 com arte de Antonio Eder, ganhador do Troféu hqmix), “O Quilombo Orum Aiê” (2010), “Morro da Favela” (2011, ganhador do Troféu hqmix), “Matei Meu Pai e Foi Estranho” (2017) e “O Idiota” (2018). Saiba mais em andrediniz.net.

SERVIÇO
O livro “Revolta da Vacina” está em pré-venda no site da DarkSide, a R$ 59,90. O material será lançado em 25 de fevereiro.

***********Com informações de assessoria

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