Pioneiros da XV de Novembro

Conheça a história de alguns dos primeiros empreendedores das comidas de rua de um dos principais pontos gastronômicos de Guarapuava

A XV de Novembro é uma das principais ruas que cortam o Centro de Guarapuava. Nela encontramos vários tipos de estabelecimentos comerciais: lojas de calçados, confecções, restaurantes, lanchonetes, academias, oficinas mecânicas e outros ramos comerciais. 

E nessa rua também encontramos pessoas empreendedoras que foram pioneiras em um tipo de venda específica: a comida de rua. Entre tantas áreas diferentes, duas chamam a atenção por ser, justamente, uma das primeiras nessa rua: a venda de doces e de cachorro-quente.  

Carmem Lúcia de Paula (48 anos), conhecida popularmente como a Lúcia do Coquinho, vende seus doces há mais de 15 anos, de segunda a sábado, em frente à praça 9 de Dezembro. 

Lúcia conta que a motivação para entrar no mundo da venda de doces veio de seu pai e que desde muito pequena o acompanhava pelas ruas da cidade.

“O meu pai foi o primeiro pipoqueiro de Guarapuava. Ele também trouxe o coquinho e o amendoim para cá. Comecei a trabalhar com meu pai com oito anos de idade e amo meu trabalho e o que eu faço”, afirma.

Sendo um trabalho que foi passado de geração em geração, a vendedora vê que o sucesso de tantos anos não está só na qualidade do produto, mas na forma como é feito. 

“O segredo é fazer seu serviço com amor. Tanto que meu pai era conhecido por João Pipoqueiro e eu sou conhecida por Lúcia do Coquinho, justamente pelo trabalho que desenvolvo há anos”, diz. 

RECEITA

Lúcia ressalta que tenta manter viva a imagem de seu pai no serviço e que tudo o que aprendeu vem dele, principalmente o segredo da receita de seus doces. 

“Me inspirei muito no trabalho do meu pai. Minha dedicação e tudo o que eu faço veio de acompanhar o trabalho dele. Hoje você encontra o coquinho e o amendoim em qualquer lugar, mas essa receita era exclusiva dele”, salienta. 

Mãe de um menino e uma menina, Carmen explica que a renda tirada de seu trabalho é o sustento da casa e, que nos últimos anos, suas vendas tiveram uma queda. 

“Dependo financeiramente daqui. Minha renda é só vendendo meus doces. Com o fechamento de alguns grandes estabelecimentos, tive uma quebra forte no lucro e o preço da minha matéria-prima também subiu. Mas aos poucos vamos tentando se manter”. 

PANDEMIA

Além de ser prejudicada com o fechamento de alguns comércios próximos à sua barraquinha, Lúcia enfrenta agora o problema da pandemia da Covid-19.

“O coronavírus me atingiu bastante. Tive que ficar em casa uns seis meses, por ser do grupo de risco, e o auxílio estava me ajudando bastante. Porém, quando mudou de R$ 1,2 mil para R$ 600, tive que voltar a trabalhar, porque precisava manter as contas de casa”, recorda. 

FUTURO

A vendedora reitera que mesmo amando o que faz, pretende que seus filhos não dependam da venda de doces para se manter.

“Eu nasci para ser a Lúcia do Coquinho. Amo muito o que faço. Para os meus filhos eu quero um futuro diferente e melhor do que eu tenho trabalhado aqui. Sempre falo para eles: ‘estudem, eu amo o que eu faço, mas não é para vocês’”, conta. 

PRENSADO

Já Emerson Passos (46 anos) é o proprietário do Cachorrão Prensado, primeiro trailer de lanches desse ramo em Guarapuava. Localizado na esquina das ruas XV de Novembro e Azevedo Portugal, Emerson explica que teve a ideia desse empreendimento depois de viajar pelo Paraná. 

“Surgimos em 1997, depois que eu conheci algo parecido no Norte do Estado. Como eu sempre trabalhei no ramo de alimentação, aí eu desenvolvi as receitas e imaginei e desenvolvi o trailer de lanches aqui em Guarapuava”, relembra.

Passos ressalta que não divulga a quantidade de lanches que vende por dia, mas que no começo foi difícil trabalhar, pois muitos não conheciam o que era um trailer. 

“Comecei em um trailer bem menor, onde eu trabalhava sozinho, mas há 23 anos trabalhamos no mesmo lugar. Para você ter uma ideia, no primeiro dia de trabalho eu vendi um único lanche, porque o pessoal tinha medo de chegar no trailer. Era uma novidade na cidade”, diz.

O empresário destaca ainda que mesmo com o passar do tempo, o foco de seu empreendimento sempre foi o mesmo: servir o cliente no menor tempo possível.  

Registro de um lanche do Cachorrão Prensado (Foto: Redação)

“Nossa prioridade, e é o que diferencia nosso trabalho dos demais, foi a questão do tempo. Sempre buscamos fazer um excelente trabalho no menor tempo possível. O cliente chega e o lanche tem que estar na mão dele em uma média de cinco minutos”, reitera.

INOVAÇÃO

Com a pandemia do novo coronavírus, as transformações no mercado de trabalho foram grandes, e com a empresa do Emerson não foi diferente. 

“Temos uma clientela bem fiel e fixa aqui. Às vezes varia de acordo com algum evento que chega na cidade. Com a pandemia, tivemos que nos adequar e pôr algo que não tínhamos antes, que era o atendimento por delivery e o atendimento em drive thru”, analisa.

Passos afirma que com a Covid-19 um novo mercado, que ele não havia percebido em Guarapuava, se abriu e que poderá investir nele nos próximos meses.

“Nós tivemos a abertura de um nicho de mercado que eu ainda não tinha parado para observar. Que foi o sistema drive thru, onde a pessoa para o carro, pede o lanche e come dentro do próprio carro ou leva para a casa”, salienta.

PERSPECTIVA

O empresário analisa que o futuro será, principalmente, em manter o que a empresa de lanches está fazendo agora e que espera que o mercado se mantenha. 

“Futuramente, vou manter os funcionários que tive que contratar para esse tipo de atendimento para a questão do crescimento da empresa. Isso foi uma comodidade que acabou aparecendo para as pessoas, que elas gostaram e eu acho que veio para ficar”, diz.

Mesmo com a pandemia, Emerson enfatiza que foram mantidos todos os nove funcionários e que os aplicativos de entrega vieram para ampliar o atendimento.

“Vemos que o atendimento por aplicativo vem crescendo e permanecerá aí, porque também é um nicho que já vinha crescendo antes da pandemia e agora está sendo crucial para um maior atendimento ao cliente”, finaliza.

*****Lucas Herdt, especial para CORREIO

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