Mapas geológicos da RMC vão orientar uso do solo com impacto no desenvolvimento

Peças cartográficas foram apresentadas aos representantes dos municípios da região e entregues à Comec. Dados vão auxiliar no aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão, em respeito às características do território, com grande impacto para desenvolvimento, ocupação e uso do solo

Em evento online nesta terça-feira (1º), a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo apresentou aos representantes dos municípios da Região Metropolitana de Curitiba o mapeamento geológico da área de abrangência territorial da Capital, a oitava mais populosa do Brasil. Participam da entrega, de forma virtual, 247 pessoas.

As peças cartográficas foram elaboradas pelo Instituto Água e Terra (IAT), resultado do Projeto de Mapeamento Geológico-Geotécnico – Mapas de Unidades de Terreno. O objetivo é orientar órgãos públicos e a sociedade quanto ao uso do solo, respeitando suas características, restrições e aptidões, e melhor aproveitamento dos espaços urbanos, centrado no desenvolvimento sustentável e no interesse da segurança da população.

As peças foram produzidas pela Diretoria de Gestão Territorial, por meio da Divisão de Geologia e apoio da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec). São 39 mapas em escala 1:20.000 que cobrem cerca de 4 mil quilômetros quadrados. Contemplam a identificação de Unidades de Terreno compartimentadas em faixas de declividades.

Cada unidade foi avaliada quanto às suas características e adequabilidades, conforme legenda nas cartas, que permitem ao gestor urbano o uso de dados e informações para o direcionamento adequado da urbanização.

Os estudos iniciaram na década de 90, ancorados no trabalho da antiga Mineropar. O secretário Márcio Nunes ressaltou o empenho da equipe de geologia do Instituto Água e Terra nos estudos voltados para o desenvolvimento sustentável da Região Metropolitana, onde se concentra cerca de um terço da população do Paraná.

“Desenvolvimento sustentável pressupõe o conhecimento das fragilidades do meio e a disponibilização de dados aos gestores urbanos e de Defesa Civil”, disse. “Os mapas entregues à Comec reafirmam o compromisso da Secretaria nas ações de governo que permitam o desenvolvimento, com a atenção devida às características do meio físico”.

Segundo o presidente do Instituto Água e Terra, Everton de Souza, os dados irão auxiliar no aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão, em respeito às características do território, com grande impacto para desenvolvimento, ocupação e uso do solo. “Estamos cumprindo um compromisso do IAT em dar prosseguimento aos estudos na Região Metropolitana com foco no meio físico, por meio da Divisão de Geologia”, disse.

PROJETO

Amílcar Cavalcante Cabral, diretor de Gestão Territorial do IAT, explica que os mapas apresentados são mais um resultado numa longa tradição de parceria, iniciada entre a Comec e a Mineropar, o Serviço Geológico do Paraná, ainda nos anos 1990. “Demandaram pesquisas aprofundadas, e possíveis graças ao acervo histórico geográfico mantido pelos servidores que compuseram os quadros do órgão hoje extinto”, complementou.

Contratado em 2016 pela então Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o Mapeamento Geológico Geotécnico na RMC – Banco Mundial foi coordenado pelo Serviço Geológico do Paraná – Mineropar, extinto no final de 2016 e sucedido pelo Instituto de Terras, Cartografia e Geologia do Paraná – ITCG. O projeto foi concluído em 2018 sob a supervisão de quatro geólogos do antigo Instituto, servidores incorporados no IAT.

Entre março e setembro de 2020, a Divisão de Geologia do Instituto Água e Terra realizou uma nova avaliação dos dados gerados no mapeamento de 2016 – 2018, além de antigos projetos conduzidos pelo Serviço Geológico do Paraná, da Mineropar. Essa revisão teve como objetivo principal a consolidação dos temas relacionados de geologia, materiais inconsolidados e unidades de terreno.

Por necessidade da Comec, a principal usuária dos dados do meio físico gerados nesse projeto, foram processados os temas de unidades de terreno e declividades (intersecção em faixas de declividades selecionadas). O mapa final contém uma legenda detalhada para cada Unidade de Terreno, considerando a avaliação segmentadas nas faixas de declividades selecionadas.

Além das cartas 1:20.000, os mapas estão integrados na escala 1:100.000, contemplando todo o polígono mapeado. Os arquivos em formato shapefile estarão integrados aos processos de tomada de decisão da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, na base de dados de ordenamento territorial e avaliação de implantação de loteamentos.

Gilson Santos, presidente da Comec, reforçou que o mapeamento apresentado vai auxiliar de forma substancial no trabalho realizado pelo órgão, na análise de todos os processos que tramitam na Comec, referentes ao uso e ocupação do solo, como também de planejamento na Divisão de Obras. “Os municípios da RMC ganham com esse conhecimento atualizado para tomadas de decisões e no planejamento urbano, possibilitando um crescimento organizado e sustentável”, arrematou.

Todo o mapeamento está disponível no site da Comec.

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