Guarapuava no olhar de três jovens: qual o futuro da cidade?

O CORREIO entrevistou três jovens moradores de Guarapuava sobre como veem o futuro do município e qual o papel que podem exercer na construção da cidade para os próximos anos

Uma cidade com mais de 200 anos e agregadora de jovens de diferentes lugares do país graças ao avançado polo de ensino superior – público e privado. Uma cidade referência e que dita o ritmo do desenvolvimento de toda a região Centro-Sul do Paraná.

Guarapuava tem muitas belezas naturais e características muito próprias. Dona de um pôr do sol apaixonante e com um futuro muito próspero no que se refere à produção de ciência e inovação. A famosa “terra do lobo bravo” tem também um grande número de estudantes e recém-formados que serão responsáveis por levar a cidade adiante.

O CORREIO conversou com três jovens guarapuavanos sobre o papel deles no desenvolvimento de Guarapuava e o que esperam do futuro. A reportagem também abriu espaço para críticas.

Bruna de Souza Pinto (22 anos) é professora de educação física formada pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), como bacharel, e pelo Centro Universitário UniGuairacá, como licenciada, e sempre esteve envolvida com os movimentos estudantis. 

Moradora do bairro Vila Bela, acredita que o jovem tem um papel primordial e que, além de trazer novas ideias e aprender, também pode ensinar muita coisa. “O jovem tem que ter um espaço para inovar e renovar as coisas”, diz.

Fernando Pepes (18 anos) tem um pensamento semelhante ao de Bruna. O estudante acredita que eles têm um poder muito grande e vê na política um caminho para exercer isso. 

“O jovem tem um poder absurdo, mas muitos não o utilizam. Participando ativamente da política podemos viabilizar novos e garantir nossos direitos, mas fico triste de não termos sequer um representante da juventude nos espaços de poder. Nosso papel? Nosso papel é ser jovem, é ser o errado quando o certo já está ultrapassado, é ser o novo, é ser o teatro, a cultura, a dança”, afirma.

Outra jovem que compartilha esse pensamento é Eloisa do Valle Fryder (17 anos), moradora do bairro Mirante da Serra e estudante no Colégio Estadual Carneiro Martins. Ela acredita que a geração da qual faz parte será responsável pela construção do futuro, e se vê como uma peça fundamental para os próximos anos do município. Mas, entende que para isso é preciso que a juventude tenha voz ativa na sociedade, falando e buscando ser ouvida.

FUTURO

A esperança de Bruna para o futuro de Guarapuava está nos novos nomes eleitos à Câmara de Vereadores. Aliás, os três jovens que participaram desta reportagem tiveram um olhar político sobre a cidade. 

“Na eleição que ocorreu nesses últimos dias, entraram candidatos novos, candidatos diferentes com ideias diferentes, e é assim que a gente começa a ter uma pontinha a mais de esperança por conta desses novos candidatos, novas propostas. Mas é um trabalho muito árduo a ser feito para que isso comece a mudar”, declara a professora. 

Já Fernando aponta as características do povo guarapuavano como motivo para acreditar em mais avanços na cidade. “Guarapuava é uma cidade linda, Guarapuava é uma cidade que tem um povo acolhedor. Eu imagino Guarapuava muito melhor. A gente viu como o guarapuavano é criativo. Eu acredito que daqui a quatro anos, quando a gente se restabelecer nesse período pós-pandemia, eu creio que a gente vai ter se recuperado, a gente vai ter muitos novos empresários”, afirma.

Mesmo confiante em um futuro melhor, ele desenha o que seria uma Guarapuava com a qualidade de vida necessária para seguir desenvolvendo. “A Guarapuava do futuro para mim precisa ter emprego, precisa ter renda para o jovem, para mãe, para o pai de família. Mas especialmente para o jovem”, reconhece. De acordo com ele, para isso os governantes teriam que dar mais atenção à periferia e à educação. “Uma Guarapuava boa para mim é uma Guarapuava que seja boa para as pessoas viverem”, aponta. 

Eloisa imagina uma cidade onde as promessas são cumpridas e os administradores têm mais atenção em relação à economia, cultura, educação e saúde. A jovem quer uma cidade com metas e que essas sejam alcançadas. 

ESTRUTURA

Ao falar sobre a estrutura da cidade, Fernando cita o bairro planejado Cidade dos Lagos e o vê como um futuro grande centro comercial que será responsável por movimentar a economia de Guarapuava. Porém, cobra mais investimento em outras áreas, principalmente em relação à utilização de espaços sem uso para a promoção de atividades de lazer e cultura.

Eloisa crê que o futuro de Guarapuava será melhor e que a cidade tem capacidade para acolher quem está buscando emprego. “Tem muitas obras novas sendo feitas na cidade. Espero que isso gere muitos empregos”, torce. 

No olhar de Bruna sobre este tema, apesar de ainda faltar muita coisa, ela vê que o município está se desenvolvendo. “Não é algo que eu tenha uma super esperança de que vá acontecer uma super mudança. Mas a gente vê que Guarapuava está em desenvolvimento, estão sendo feitos espaços e está crescendo em diversos âmbitos. Às vezes, falta esse olhar um pouco mais cauteloso para a população em geral”.

CRÍTICAS

Pensando em como será a cidade, os três têm uma análise crítica em relação a alguns pontos que ainda carecem de incentivo. Sempre ligada nas ações estudantis enquanto era acadêmica, Bruna sente que ainda falta apoio à cultura. Para ela, Guarapuava devia ser mais plural. 

Fernando tem um pensamento semelhante ao de Bruna. O estudante acredita que Guarapuava está em um caminho crescente de desenvolvimento, mas apesar disso, o projeto que está sendo executado na cidade, na opinião dele, não é suficiente. “Eu comparo Guarapuava a outras cidades do Paraná como Londrina, Cascavel, Maringá, que são cidades que têm menos de 100 anos e são muito mais desenvolvidas”, diz. 

A geração de emprego é um tema muito discutido e a possibilidade de não conseguir uma vaga no mercado de trabalho assusta Eloisa. 

“Acredito que Guarapuava melhorou muito, porém tem muito o que melhorar ainda”, comenta, reiterando que os jovens não têm tantas oportunidades para conseguir o primeiro emprego porque as empresas buscam pessoas com experiência. 

*****Daiara Souza, especial para CORREIO

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