Famílias de operadores ecológicos estão transformando suas vidas com o programa Vida Digna

Conheça como funciona o programa e a história de uma das famílias atendidas

Imagine você chegar em casa depois de um dia de muito trabalho, e ter que enfrentar a dura realidade de um ambiente sem a mínima condição para abrigar sua família. E mais, imagine que essa é a realidade que seus pais e avós já enfrentavam e que, pouco a pouco, você percebe que será a de seus filhos também.

Na mesma intensidade, imagine que, de uma hora para a outra, sua realidade começa a se transformar (mesmo que lentamente) e, você começa a sonhar. E sonhar alto. Quando pensamos nesses sonhos, encontramos muitas histórias semelhantes.

Ter uma Vida Digna, que nos possibilite sonhar é uma das formas mais sublimes de demonstrar a necessidade de políticas públicas no Brasil – e em Guarapuava também. Muitas dessas políticas começam com mais renda, educação e infraestrutura. Justamente nessa composição é que surge o Programa Vida Digna, capaz de modificar as estruturas mais enraizadas dos 200 anos de Guarapuava.

Vida Digna está transformando a realidade da vida de operadores ecológicos ao fornecer educação, saúde, emprego e moradia. Foto: Secom

Se a casa simboliza o resgate da dignidade para uma pessoa ou famílias inteiras, elas não são as únicas que transformam as pessoas. Mas 35 famílias inteiras estão em processo de lapidação desse sonho e, enquanto as paredes sobem, os operadores ecológicos que moravam em áreas de risco de inundação recebem auxílio mensal em dinheiro e alimentos para complementar a renda.

Desde a criação até o momento, a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social totalizou mais de R$ 98 mil em repasses mensais, 456 cestas básicas e oportunidade de crescimento profissional, com 58 encaminhamentos para cursos profissionalizantes. Também foram realizados 13 encaminhamentos para atendimentos de saúde.

No programa Vida Digna todos os membros das famílias, cerca de 150 pessoas tiveram a oportunidade de participar de cursos e aprender uma outra profissão. Isso não significa que o trabalho com a coleta seletiva vai ser deixada de lado, mas se quiserem, novas portas já estão abertas: pois a ação segue especificamente na construção de pilares para que as realidades sejam transformadas. 

Mudanças como na família da Leidy, que cria sozinha três crianças. Ela não tinha muitos sonhos, mas eles começaram a fazer parte do seu dia a dia a partir da notícia de que teria uma nova casa, isso porque ela e as filhas enfrentaram diversos problemas, como as chuvas intensas e inundações numa área de risco. “Quando começava a vir a chuva lá do outro lado da cidade nós já ia se preocupando. Aqui inundava tudo. Dava até uma tristeza”, contou a mãe emocionada. 

Leidy sempre viveu da coleta de materiais recicláveis. Começou junto com suas irmãs, ainda crianças, acompanhando a gaiota conduzida pela mãe Neusa. Apesar disso, hoje aos 32 anos, a coletora ecológica sonha com um outro destino para as filhas, com mais oportunidades e distante do trabalho que ela considera digno, mas muito difícil.  “Eu tenho certeza que elas vão ter um futuro melhor do que o meu. Porque elas vão poder trabalhar num lugar melhor, elas vão poder ter um bom lugar para morar, coisa que eu nunca tive, né? Eu não levo elas comigo para as coletas, incentivo bastante para que estudem, para fazer alguma coisa na vida, a fazer curso, sabe? Para poder ser alguém melhor do que eu na vida”, destacou Leidy. 

Conheça melhor a história da Leidy e do Vida Digna no vídeo disponível no portal G1: Vida Digna

Leidy já sonha com um futuro melhor para suas três filhas, que já não trabalham mais nas coletas com ela.  – Foto Secom

VIDA DIGNA

O programa funciona graças ao acordo feito entre prefeitura e beneficiários, que atuam como operadores ecológicos. O diferencial é unir ações de diferentes secretarias – Assistência e Desenvolvimento Social, Finanças, Saúde, Educação, Habitação e Meio Ambiente – em prol de um único objetivo: garantir uma vida digna, como prevê a Constituição Brasileira. 

Por conta do caráter interdisciplinar, o programa vai muito além de possibilitar um lar digno para todas as famílias. São diversas as portas abertas, como o da educação. Leidy, por exemplo, participou do curso de eletricidade predial. Nos olhos da filha caçula, de três anos, pode-se ver o brilho de uma vida toda pela frente. Vida que certamente não seguirá o mesmo caminho da mãe e que, por uma política pública, pode vislumbrar novas perspectivas.

Neusa, mãe de Leidy, acredita que o programa Vida Digna ainda vai ajudar muitas pessoas a melhorarem as condições de moradia e trabalho. “Eu fico muito feliz. Pois não tem felicidade maior do que ver os filhos bem. Se os filhos estão bem a mãe também está. E não só pela minha filha, mas por todas as pessoas que estão participando, porque não é só a minha filha que precisa, tem bastante gente que precisa e eu posso afirmar isso, porque a gente vê o sorriso na cara das pessoas e só isso já deixa a gente feliz”, contou.

E olha só como a gente consegue mudar toda a cidade com pequenas ações. Os operadores ecológicos, que ajudam a cuidar do meio ambiente todos os dias coletando materiais recicláveis por toda a cidade, assim que desocuparem as áreas de risco em que vivem farão mais uma contribuição ao futuro. Toda a área desocupada ganhará novas moradoras: dezenas de árvores nativas da região.

Secom/Prefeitura de Guarapuava

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