Chances de cura do câncer bucal são de mais de 90%, se doença for descoberta em fase inicial

Médica Caroline Ramos disse que campanhas como a destinada à prevenção do câncer bucal, que se tornou lei estadual em 2019, são fundamentais para informar a população e, assim, aumentar as chances de cura da doença

O câncer bucal é um dos que possui maior incidência no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (inca). Ele afeta 15 mil brasileiros por ano. A maioria, homens. Para falar sobre o tema, que no Paraná é lembrado por meio de ações preventivas em novembro, desde 2019, quando entrou em vigor a lei que instituiu o Novembro Vermelho, a TV Assembleia convidou a cirurgiã bucomaxilofacial, Caroline Ramos. “Os números aqui no Brasil são altos em função do clima, que permite mais a exposição solar; ao tabagismo, uso de álcool e ao HPV, que também atinge a boca”, afirmou a médica.

As dores na região da língua e na própria boca são sinais de que o tumor está em fase avançada. Por isto, a especialista recomenda que a observação e os cuidados de higiene ainda são as principais formas de prevenir o câncer na região.  “As manchas de colorações arroxeadas, vermelhas ou brancas, feridas na boca que não cicatrizam estão entre os sinais mais comuns a serem observados. Assim, é possível detectar uma possível doença ainda no início e aumentar as chances de cura”.

Os cirurgiões dentistas são os profissionais mais indicados, além da própria pessoa, para detectar alguma lesão. Por isso, a importância de visitar com frequência um dentista. Ele pode, inclusive, detectar até mesmo outros tipos de doenças, como diabetes, por exemplo.

Bons hábitos alimentares e de higiene bucal auxiliam na prevenção de doenças na boca. “Isso vale para todo o nosso corpo, que precisa de cuidados simples, mas que muitas pessoas acabam não fazendo”, lembra a médica.

Em caso de diagnóstico positivo para a doença, Caroline Ramos explica que o paciente é encaminhado para o cirurgião de cabeça e pescoço para que ele defina a indicação do melhor tratamento. “As chances de cura são de mais de 90% se o tumor for descoberto no início. Tenho muitos pacientes curados. Por isso, as campanhas são importantes, caso do Novembro Vermelho, que a Assembleia abraçou e apoiou e que nós, médicos, enaltecemos, já que significa que o Estado se preocupa com a saúde de sua população”, frisou.

A LEI

A lei aprovada na Assembleia Legislativa do Paraná, é de autoria do presidente Ademar Traiano (PSDB), que é sensível à causa, já que enfrentou na família um câncer. Traiano perdeu a esposa para a doença.  “O presidente Ademar Traiano foi muito sensível à causa e nos apoiou muito (além de todos os deputados), com a apresentação da proposta”, informou Ana Paula Prestes Virmond Traiano, idealizadora da campanha Novembro Vermelho, no Paraná.

Em 2019, primeiro ano em que a lei entrou em vigor, foi feita uma série de capacitações com cirurgiões dentistas nas regionais de saúde do estado. O objetivo foi mostrar a eles como identificar as lesões na boca, que, inclusive, se permanecerem por mais de duas semanas, precisam passar por biópsia. E isso, antes da legislação, não era um item tão observado. “Profissionais da área odontológica de várias regionais de saúde do Paraná, inclusive a de Guarapuava município onde eu resido, tiveram capacitação com profissionais do hospital israelita Albert Einstein”, lembrou a especialista, que já participou do programa da TV Assembleia.

(Reportagem: Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep))

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