Polícia Civil prende casal suspeito de assassinar e incendiar corpo de mulher no Jordão

Informações sobre a investigação foram dadas pelo delegado de Polícia Civil de Guarapuava durante uma coletiva na manhã desta terça-feira (2); veja os detalhes

Em entrevista coletiva realizada na manhã desta quarta-feira (2) na sede da 14ª Subdivisão Policial (SDP), o delegado Alysson Henrique de Souza deu detalhes sobre o caso da mulher que foi encontrada morta e carbonizada dentro de um carro no bairro Jordão. O corpo foi localizado na madrugada de terça-feira (1º). A vítima é Mariele Galvão.

De acordo com o delegado, a investigação teve início ainda na noite de segunda-feira (30) quando o filho da mulher, de aproximadamente três anos, foi encontrado sozinho e com manchas de sangue em uma rua do bairro Boqueirão. 

A partir do relato do menino e de denúncias recebidas, a equipe passou a procurar a jovem. “Algo de ruim já se previa que tinha acontecido com a mãe dele. Então para nós era questão de tempo no sentido de encontrar o corpo dessa mulher. Nossa intenção era que ela estivesse viva, mas o pressentimento já era forte de que ela teria sido morta”, afirmou.

A suspeita da polícia também se deu em virtude da vítima ter relatado em mensagens que estava com medo de estar sendo sequestrada. Em uma troca de mensagens com um funcionário do hotel onde ela estava morando, Mariele disse que estava indo ver um serviço no Jordão, mas que já estava longe e passando do bairro.

Na madrugada de terça-feira (1º), a Polícia Militar (PM) foi acionada após um carro GM/Onix incendiado ter sido encontrado na estrada da Junqueira, no bairro Jordão. No automóvel estava o corpo da mulher já carbonizado. 

“Foi constatado que esse Onix seria um carro roubado de Curitiba, na quinta-feira, dia 26. E com algumas informações nós confirmamos que esse veículo veio para Guarapuava no dia 27. E que teria sido deixado escondido numa residência no Boqueirão”. 

INVESTIGAÇÃO

Do momento em que foi localizado o corpo até a prisão dos possíveis assassinos, a Polícia Civil realizou diligências e recebeu diversas denúncias anônimas. Uma delas possibilitou à equipe chegar até um indivíduo que teria ido à estrada da Junqueira, próximo ao local onde o veículo foi localizado. O sujeito fazia uso de tornozeleira eletrônica e estava em uma obra próxima à 14ª SDP quando foi encontrado. 

“Esse denunciado confirmou que teria estado na estrada da Junqueira, mas teria ido pedir pra pescar pra um senhor que ele trabalhou há uns quatro, cinco anos atrás”, relatou o delegado, reiterando que isso gerou um alerta de que ele poderia estar envolvido na situação.

Além do homem, a esposa do sujeito também foi presa por ter auxiliado na orquestração da morte de Mariele. “Ela auxiliou ele em vários detalhes, desde  uso do celular, desde se desfazer desse celular, desde pedir para uma parente deixasse o veículo na garagem dela. O veículo que foi usado para levar a vítima e que depois foi incendiado. Então são atos concretos que demonstram a participação efetiva dessa mulher no auxílio do marido para levar a mulher até a morte”, explica.

Já na noite de terça-feira, os investigadores identificaram uma parente do casal, e na casa desta mulher foi encontrado o celular usado para combinar o falso emprego com a vítima. O delegado informou que foi feito um pedido de informações para a concessionária de telefonia e por isso a polícia teve a certeza de  que era o aparelho utilizado pelos assassinos.

Sede da 14ª SDP (Daiara Souza/Correio)

Outra informação obtida pela polícia é que o veículo Onix ficou na garagem dela de sexta (27) até segunda-feira (30) a noite, quando o homem foi buscar o carro para levar Mariele ao local da morte. Ainda não há confirmação sobre o momento do assassinato, que só deve sair após a perícia. A participação do ex-marido está descartada, por enquanto. 

MOTIVAÇÃO

Até o momento, a motivação do crime não foi definida, segundo o delegado. No entanto, ele confirmou que há uma suspeita de que esteja relacionada à divisão de bens. 

“A mãe da vítima, quando faleceu, tinha uma residência e essa residência foi vendida pelo padrasto da vítima a possíveis pessoas que cometem ilícitos. E a vítima não queria deixar barato isso, queria receber a parte dela juntamente com as irmãs. E esse ex-padrasto parece que não teria ‘dado bola’ nisso. Pode ter ligação tanto com esse ex-padrasto quanto com as pessoas de má índole que adquiriram a casa, quanto todos eles juntos”. 

A polícia acredita que o casal preso não são os únicos responsáveis pelo homicídio e por isso as investigações continuam.

CRIANÇA

A polícia informou que dois carros foram apreendidos e que um deles pode ter sido usado para levar o menino até o Boqueirão depois do assassinato da mãe. A polícia teve acesso a um vídeo em que mostra o momento em que ele é abandonado. 

“Como foi mandado pela rede social, ele não tem um foco muito forte. Mas, nós vamos correr atrás para pegar direto da fonte onde foram gravadas as imagens pra gente identificar o carro que deixou a criança. Nós já temos essa informação que pode bater, pode coincidir com o carro que foi apreendido ontem”.

Logo depois de ser encontrado, o menino foi entregue ao Conselho Tutelar, mas já está com os familiares. “Graças a Deus não tem nenhum ferimento, a não ser, lógico, o trauma, ferimento psicológico que ela tem em razão de ter com certeza visto sua mãe sido morta”.

********Daiara Souza, especial para CORREIO

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