Julgamento de Luis Felipe Manvailer é adiado; advogado de defesa está com covid-19

Em contato com o CORREIO, a defesa de Manvailer informou que um advogado foi infectado pelo coronavírus e que o adiamento foi solicitado

O julgamento no Tribunal do Júri do biólogo Luis Felipe Manvailer, que estava marcado para quinta (3) e sexta-feira (4), em Guarapuava, foi adiado. 

A informação recebida pelo CORREIO é que um dos advogados que representam Manvailer testou positivo para covid-19. 

Devido a isso, foi solicitado ao magistrado responsável o adiamento do julgamento, que foi acatado. A tendência é que Luis Felipe seja julgado apenas em 2021. 

A defesa argumenta que o advogado infectado teve contato com os outros profissionais que atuarão na defesa. Dessa forma, todos deverão ser testados para o novo coronavírus. 

Em nota encaminhada à reportagem, a defesa de Manvailer diz que estava pronta para participar do julgamento, que começaria na quinta. “Porém, na manhã de hoje, um dos advogados de defesa testou positivo para covid-19, o que foi imediatamente informado ao juiz do caso, que acabou por redesignar o júri para data futura”.

Essa informação também foi confirmada ao CORREIO pelo advogado Gustavo Scandelari, representante da família Spitzner, que diz que a infecção de um membro da defesa “foi imprevisível e levou à redesignação da data do júri”.

“A família de Tatiane Spitzner estava preparada e confiante no resultado condenatório do júri de Luís Felipe Manvailler, que deveria começar amanhã (3) em Guarapuava”, disse em nota.

DECISÃO

O pedido de adiamento foi aceito pelo juiz Adriano Scussiatto Eyng às 15h27 desta quarta-feira. A previsão é que o júri ocorra no dia 25 de janeiro de 2021. 

“A manutenção da sessão de julgamento, no cenário atual e diante do quadro fático apresentado pela defesa, seria imprudente e poderia expor a risco os demais integrantes do julgamento, além dos jurados e dos espectadores autorizados pelo Juízo para o acompanhamento presencial do ato”, argumentou o magistrado, que também manteve a prisão preventiva do réu.

ENTENDA

O biólogo Luis Felipe Manvailer é acusado de matar a advogada Tatiane Spitzner na madrugada do dia 22 de julho de 2018, na região central de Guarapuava. 

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), após o casal chegar de uma casa noturna, Manvailer passou a agredir a vítima e, posteriormente, a lançou pela sacada do apartamento em que moravam. 

O MP-PR sustenta a tese de homicídio qualificado (feminicídio, motivo fútil e morte mediante asfixia) e fraude processual (por ter removido o corpo de Tatiane do local da queda e limpado os vestígios de sangue). 

De acordo com a denúncia, essa versão é fundamentada pelo Laudo de Necropsia e pelo Laudo Anatomopatológico, que apontam que Spitzner foi jogada da sacada quando já estava morta. Luis Felipe foi preso no mesmo dia depois de um acidente em São Miguel do Iguaçu, a 340 km de Guarapuava.

A defesa do biólogo questiona a credibilidade do laudo do IML e afirma que houve mudanças nos depoimentos de algumas testemunhas. 

“Quando nós pegamos o depoimento dessas testemunhas, que são os vizinhos, dias depois do fato, eles dão um depoimento no sentido de que ouviram gritos e imediatamente após, ouviram o estrondo do corpo batendo ao chão”, disse o advogado de defesa Adriano Brettas, em entrevista concedida ao repórter Roberto Cabrini no último domingo (29). 

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