Região de Guarapuava registrou 9 mortes em confrontos com forças policiais

De acordo com os números divulgados nesta quinta (25) pelo Gaeco, do Ministério Público do Paraná (MPPR), Guarapuava (2) e Prudentópolis (7) tiveram mortes de civis em confrontos com agentes de segurança pública

A região de Guarapuava registrou, ao longo de 2020, nove mortes de civis em confrontos com forças policiais. O número consta em um balanço divulgado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), unidade especializada do Ministério Público do Paraná (MPPR) nesta quinta-feira (25).

O município de Prudentópolis, inclusive, aparece entre as 12 cidades com mais óbitos nestas circunstâncias no ano passado, com 7 ocorrências; Guarapuava completa a lista com duas mortes, uma em cada semestre. A capital Curitiba liderou o índice com 101 ocorrências, seguida de Londrina (58) e São José dos Pinhais (18).

Em comparação com o ano de 2019, houve um aumento significativo de óbitos na região da famosa “terra do lobo bravo”. À época, o Gaeco registrou três ocorrências, sendo que em Prudentópolis (1) e Pinhão (2).

De acordo com o coordenador estadual do Gaeco, procurador de Justiça Leonir Batisti, os dados fazem parte de um programa do Conselho Nacional do MPPR, que acompanha e divulga balanços sobre essas mortes.

“O que observamos no ano de 2020 foi um acréscimo bastante preocupante de mortes de civis, que ao todo atingiram 380, sendo que 375 dessas mortes envolveram ações policiais”, pontuando que os números são resultado de 282 ocorrências. “O que nós constatamos numa análise ligeiramente rápida, é que esse aumento começou a acontecer principalmente com o início da pandemia, ou seja, a partir de abril de 2020”.

PARANÁ
Os dados do primeiro semestre do ano passado indicaram um total de 184 mortes, sendo 183 em confrontos com policiais militares e uma com guarda municipal (não houve mortes em confrontos com policiais civis).

No segundo semestre, foram 196 mortes no total (sendo 192 em confrontos com policiais militares e quatro em confronto com guarda municipal – nenhum com policial civil envolvido), um aumento de 6,5% em relação ao primeiro semestre (foram 12 mortes a mais).

O fechamento dos números de 2020 mostra uma soma de 380 mortes no ano passado, sendo 375 em confrontos com policiais militares e 5 em confrontos com guardas municipais. Considerando-se que em 2019 ocorreram 307 mortes, o número indica um crescimento de 23,8% (73 mortes a mais em 2020 do que em 2019).

ESTRATÉGIA NACIONAL
O controle estatístico das mortes em confrontos policiais pelo Gaeco faz parte de estratégia institucional de atuação do MPPR com o objetivo de contribuir para diminuir a letalidade das abordagens conduzidas pela polícia. As iniciativas do Ministério Público com esse intuito são constantemente discutidas com representantes da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), da Polícia Civil e da Polícia Militar.

O Ministério Público do Paraná, a exemplo dos demais MPs do Brasil, aderiu ao programa nacional “O MP no enfrentamento à morte decorrente de intervenção policial”, instituído pelo Conselho Nacional do Ministério Público, por meio da Comissão do Sistema Prisional, Controle Externo da Atividade Policial e Segurança.

A iniciativa do CNMP tem como objetivo assegurar a correta apuração das mortes de civis em confrontos com policiais e guardas municipais, garantindo que toda ação do Estado que resulte em morte seja investigada.

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