Projeto da UEL avalia impactos da Covid-19 no atendimento e assistência materna

O projeto, coordenado pela professora de Enfermagem Rosângela Aparecida Pimenta Ferrari, analisa o impacto da pandemia de Covid-19 na assistência materna no pré-natal, o parto e o puerpério, período necessário para o organismo da mãe voltar às condições normais após o nascimento do bebê.

O projeto “Enfrentamento da Covid-19 e a assistência materno-infantil”, do Departamento de Enfermagem, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi aprovado na chamada pública 11/2020 do Programa Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS) 2020/2021.

O projeto, coordenado pela professora de Enfermagem Rosângela Aparecida Pimenta Ferrari, do Departamento de Enfermagem), analisa o impacto da pandemia da Covid-19 na assistência materna, no pré-natal, o parto e o puerpério, período necessário para o organismo da mãe voltar às condições normais após o nascimento do bebê.

O estudo se concentra em cinco regionais de Saúde do Paraná: Ponta Grossa (3ª Regional), Maringá (15ª Regional), Londrina (17ª Regional), Foz do Iguaçu (9ª Regional) e Cascavel (10ª Regional).

Segundo Rosângela, o estudo é um desenvolvimento de um projeto já realizado entre 2017 e 2019, que contou com avaliações de assistência materno-infantil nas 10ª, 17ª e 9ª regionais do Estado, denominado.

“Antes da pandemia, realizamos um estudo em conjunto com a Unioeste, Cascavel e Foz do Iguaçu com o projeto ‘Rede Mãe Paranaense na Perspectiva da Usuária: o Cuidado da Mulher no Pré-Natal, Parto, Puerpério e da Criança. O objetivo foi avaliar o atendimento pré-natal, no nascimento e pós-parto, e acompanhar essas mulheres”, afirmou. As monografias, dissertações e teses dos envolvidos no primeiro projeto seguem sendo concluídas em 2020.

Com a continuidade do estudo e sua ampliação, com mais duas regionais, a hipótese da pesquisa é, segundo Rosângela, de que a qualidade do atendimento à gestante e mãe piorou devido à intensificação do ritmo de trabalho das equipes de Saúde e aos efeitos deletérios da pandemia para a maioria da população. O projeto tem duração de um ano.

ESTUDO COMPARATIVO

Os envolvidos vão comparar informações dos bancos de dados de antes e depois da pandemia. “Temos os dados relativos ao pré-natal, nascimento e pós-parto nos dois períodos, de todas as regionais, para comparação”, explica Rosângela. Serão avaliadas, em todas as regiões, 1.700 mulheres e seus filhos, e de 200 a 250 profissionais de saúde.

Na 17ª Regional de Saúde, na região de Londrina, o projeto vai atender  450 mulheres e crianças que buscam atendimento em unidades de referência na cidade: o Hospital Universitário (HU) e a Maternidade Municipal Lucilla Balalai, da Prefeitura de Londrina.

A hipótese de piora no atendimento, para a pesquisadora, pode se dar por alguns fatores. Um deles é que, com o agravamento da pandemia e seus efeitos na sociedade (isolamento social, por exemplo), algumas normativas não teriam sido cumpridas. “Os procedimentos de pré-natal preconizados pelo Ministério da Saúde, como avaliação clínica, exame de ultrassom, entre outros, podem ter sido prejudicados pela pandemia”, exemplifica.

O acompanhamento no pós-parto – que ocorre já com a mãe e o bebê em casa – também pode ter sofrido uma queda em qualidade, neste caso também devido à necessidade do isolamento social entre gestantes, que são grupo de risco da Covid-19. “Mesmo com alta, a mulher pode desenvolver, em casa, hemorragias ou infecções. Isso implica em continuar atendimentos com ginecologista. Da mesma forma, essa criança também precisa de acompanhamento pediátrico. Se eu não garanto isso, aumento a probabilidade de mortalidade dos dois”.

PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS 

A pesquisa deve se voltar, em outro momento, à percepção dos profissionais de saúde a respeito do assunto. “Imaginamos que, devido à pressão e ao ritmo intenso de trabalho, esses trabalhadores tenham uma série de demandas, queixas e observações sobre o quanto a pandemia impactou no trabalho. Foi causadora de uma série de desgastes, para além de uma situação de normalidade que já é, por si, desgastante”, afirma.

O projeto recebeu um montante de R$ 230 mil, vindos da Fundação Araucária, via secretaria estadual de Saúde, e do e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), através do Departamento de Ciência e Tecnologia e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, do Ministério da Saúde.

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