‘Efeitos da pandemia na nossa cidade não foram tão prejudiciais para o comércio’, diz presidente da Acifoz

De acordo com Adecir Farias de Lima, em entrevista ao CORREIO, em Foz do Jordão o novo coronavírus não atingiu fortemente o comércio por conta do auxílio emergencial e da agricultura, além de a cidade ser do interior paranaense

Em entrevista concedida ao CORREIO, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Foz do Jordão (Acifoz), Adecir Farias de Lima, fala sobre a situação do comércio foz jordanense em tempo de pandemia.

O município, segundo o último levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), tem aproximadamente 40 estabelecimentos comerciais, entre varejistas e atacadistas, gerando quase 100 empregos diretos.

Foz do Jordão (a 95 km de Guarapuava) tem aproximadamente 5 mil habitantes e possui uma associação com cinco anos de história. Adecir conta que a instituição começou a ser organizada e pensada em 2002, porém, só deu certo em 2015.

“A Acifoz teve seu CNPJ e a formação da primeira diretoria em 2002, mas não seguiu em frente. Entretanto, depois de outras tentativas foi formado uma nova diretoria, em 2014, que iniciou de fato os trabalhos como associação e foi regularizado seu registro pela Faciap [Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná]”, lembra.

Além de fazer parte da Faciap, a Acifoz, desde 2015, também participa da Coordenadoria das Associações Comerciais do Centro Oeste do Paraná (Cacicopar). Lima explica ainda que a associação comercial vem se destacando tanto no município como nas cidades vizinhas.

ASSOCIAÇÃO
O presidente da entidade ressalta que eles são novos dentro do sistema associativista e que já conseguiram movimentar novas empresas que ainda não existiam na cidade.

“Depois de três anos de tratativas e convencimento, com uma ajuda do prefeito, conseguimos trazer uma cooperativa de crédito para a cidade, , por exemplo, já que não tínhamos nenhuma instituição financeira aqui. E isso resolveu um problema que acarretava grande evasão de recursos que vinham para o município e iam para as cidades vizinhas”, destaca.

PANDEMIA
Adecir salienta que o comércio de Foz do Jordão não foi tão atingido pela pandemia por vários fatores que ajudaram a manter a economia em uma situação confortável.

“Os efeitos da pandemia da Covid-19 na nossa cidade não foram tão prejudiciais para o comércio por ser uma cidade do interior e que tem, como seu maior empregador, o comércio em si e a Prefeitura Municipal. Sem contar que grande parte dos munícipes tiveram acesso ao auxílio emergencial do governo federal, que ajudou muito”, conta.

O presidente da Acifoz recorda que outros eixos ajudaram a manter os comércios da cidade abertos e com um giro econômico bom. “A agricultura, que felizmente não parou durante a pandemia, auxiliou positivamente para que nosso comércio não fechasse. Aliado a isso, as atitudes sanitárias dos decretos municipais mantiveram os comércios abertos e funcionando, mesmo que em horários diferenciados. Dessa forma, conseguimos sobreviver comercialmente falando”, reitera.

Município, segundo o último levantamento do Ipardes, tem aproximadamente 40 estabelecimentos comerciais (Foto: Lucas Herdt)

AGROPECUÁRIA
Conforme o Ipardes, no seu último levantamento, a cidade foz jordanense tem quase 1,5 mil pessoas que vivem na área rural. Diante disso, Lima esclarece que sem a agricultura e pecuária o comércio e outras ações econômicas não se desenvolveriam.

“Sem as atividades da agropecuária não seria possível que outras atividades econômicas fossem exercidas, porque o agronegócio é que mantém a nossa subsistência. E, sem dúvida, é de grande importância para economia local”, diz.

Adecir ressalta também que a própria população de Foz do Jordão reconhece a importância da agropecuária para o comércio local. “Toda a relação do agronegócio consequentemente gera um fortalecimento de todo comércio do município. Tanto que é comum o pessoal aqui dizer: ‘se o campo não planta a cidade não janta’, ou ‘se o campo não roça a cidade não almoça’”, explica.

FUTURO
O presidente da associação salienta que para o comércio da cidade crescer e se desenvolver melhor depende não só dos comerciantes, mas de incentivos governamentais.

“Como um município de pequeno porte e que não dispõe de matéria-prima que atrai grandes investidores, a perspectiva para o futuro do comércio de Foz do Jordão está atrelada ao desempenho dos governantes municipais, estaduais e federais”, destaca.

Adecir espera que com a união de todos os moradores de Foz do Jordão, com o passar dos anos, a cidade se expanda comercialmente.

“Torcemos que cada um faça a sua parte para que todos possam crescer juntos. Assim como os demais setores da economia, a nossa luta e perseverança é diária, e sempre acreditamos que o nosso futuro e de nossos filhos seja cada dia melhor”, finaliza.

************Texto: Lucas Herdt, especial para CORREIO

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