‘É disso, é disso que o povo gosta!!!’: recordando Januário de Oliveira

Após 12 dias internado, por conta de uma pneumonia, faleceu em Natal (RN), nesta segunda-feira (31 maio), aos 81 anos de idade, Januário de Oliveira, que marcou época na Rede Bandeirantes, Rádio Nacional e TV Brasil. Nos anos de 1990, suas narrações de jogos do Carioca eternizaram bordões e apelidos

“Tá lá um corpo estendido no chão”. “Sinistro, mas é muito sinistro”. “Ele sabe que é disso, é disso que o povo gosta”. Estes são apenas alguns dos bordões que o público costumava ouvir nos anos de 1990, pela telinha da Bandeirantes (antes de se tornar Band).

Principalmente nas transmissões de jogos do Campeonato Carioca. Todas as partidas televisivas daquela época no Rio de Janeiro eram comandadas por Januário de Oliveira (narração), Gérson, o canhotinha de ouro (comentários) e Addison Coutinho (reportagens).

Infelizmente, o Brasil perdeu um dos integrantes desse trio histórico. Após 12 dias internado, por conta de uma pneumonia, faleceu em Natal (RN), nesta segunda-feira (31 maio), aos 81 anos de idade, Januário, que marcou época também na Rádio Nacional e na TV Brasil.

Ele sofria de diabetes, doença que o fez perder cerca de 90% da visão e que foi a responsável por ele ter abandonado as transmissões em 1998, logo após a Copa do Mundo. O narrador vivia em Natal, ao lado de familiares, mas há cerca de dois anos apresentava saúde debilitada.

Quem acompanha futebol desde os anos de 1980/90 deve se lembrar de sua locução com voz potente, grave, vibrante e costurada de bordões. Por exemplo, Januário utilizava o “tá lá um corpo estendido no chão” quando algum jogador levava uma falta mais dura e, claro, se estatelava no gramado. Dizem que a frase foi criada quando o então zagueiro flamenguista Júnior Baiano derrubou mais um adversário.

Já o “ele sabe que é disso, é disso que o povo gosta” era narrado em momentos de gols, completando o famoso grito.

APELIDOS

Além das frases de efeito criados por ele, Januário inventava apelidos para os atletas que se destacavam nos clubes cariocas, principalmente na década de 90. O atacante Valdeir, que jogou no Botafogo dessa época, se tornou “Valdeir The Flash” na voz do narrador, em alusão ao super-herói velocista dos quadrinhos da DC Comics (que hoje é mais famoso em série de TV da Warner).

Por sua vez, o rubro-negro Sávio passou a ser chamado, primeiro, de “Sávio, o Diabo Louro”, e depois “Sávio, o Anjo Louro”. A mudança ocorreu por causa da sogra católica do jogador, que pediu a Januário para não utilizar mais o termo “Diabo”.

No entanto, a alcunha mais famosa foi para o então centroavante do Fluminense, Ézio. Como ele fazia muitos gols em momentos decisivos, tornando-se carrasco do Flamengo, o locutor tascou um “Suuuper, suuuper Ézio. É disso, Super Ézio, é disso que o povo gosta”. Infelizmente, Ézio morreu em 2011, aos 45 anos de idade.

“O time do Fluminense no início da década de 90 era muito ruim. E o Ézio era o único elemento que conseguia se destacar, fazia gols… Uma vez, um amigo me falou que, nesse time, ‘para fazer gol tinha que ser herói. Herói não, super-herói’. E aquilo ficou na minha cabeça. No fim de semana, jogaram Botafogo e Fluminense. O Ézio fez os dois gols do Flu. E na hora de narrar o gol, eu falei ‘gol de Super Ézio, o super-herói tricolor’”, contou Januário em uma reportagem da TV Globo em 2019.

**********Entrevista com Januário e exemplo de narração de gol do Super Ézio

TRAJETÓRIA
Januário começou a carreira na Rádio Farroupilha, em Porto Alegre. No Rio de Janeiro, trabalhou na Rádio Mauá e, na Nacional, transformou-se num dos principais narradores do futebol carioca. Foi na emissora que começou a criar seus famosos bordões. “Taí o que você queria” surgiu após mais de duas horas aguardando o início de um jogo, no estádio Ítalo del Cima, em Campo Grande.

Na TV Educativa, ao lado dos comentaristas Achilles Chirol e José Ignácio Werneck, era o responsável pela narração dos jogos de domingo, que iam em videoteipes nas noites de domingo, tendo os repórteres José Luiz Furtado, Sebastião Pereira, Sergio du Bocage e Fernando Domingues nas transmissões.

Já aposentado, Januário passou a integrar a equipe de locutores da Bandeirantes. E lá vieram novos bordões.

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