Milho: preço e demanda cria cenário favorável aos produtores

O Paraná consome praticamente todo o grão que produz. Novos investimentos para produção de proteína animal vão aumentar ainda mais a demanda nos próximos anos

Com os preços mais altos da história – acima de R$ 70 a saca -, a estratégia para garantir milho à produção de proteínas animais tem se tornado um desafio à cadeia produtiva no Paraná. Com a perspectiva de manutenção da cotação nesse nível nos próximos meses pela conjuntura político-econômica, fica a dúvida em relação ao ponto de equilíbrio para garantir rentabilidade com a produção de proteínas animais. Afinal, o milho é o principal componente da ração, especialmente, na criação de frangos e suínos.

Ainda, é preciso considerar no planejamento do milho o possível aumento nas exportações de proteínas animais nos próximos anos. Isso porque o Paraná está em vias de conquistar o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Com a chancela do órgão internacional, a expectativa é que os produtos paranaenses consigam acessar mercados que exigem essa condição sanitária para as negociações, como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.

Outro aspecto a se considerar é que hoje o Paraná já consome praticamente todo o milho produzido internamente, parte pela cadeia de proteína animal, parte exportado e parte por outros setores. Em 2020, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), 1,2 milhão de toneladas de milho foram comercializadas no mercado internacional, 4,6% de todo o cereal embarcado pelo Brasil. A produção estadual na safra 2019/20, somando primeira e segunda safras, ficou em 15,2 milhões de toneladas, com 77% da produção concentrada na safrinha.

Apesar da expectativa de que continue havendo aumento da produtividade nos próximos anos, o que ajuda a atender a demanda pelo grão, existe a chance da necessidade de trazer mais milho de outros Estados. 

De acordo com o técnico Edmar Gervásio, do Deral, não há risco de faltar milho. Mas, olhando para as experiências dos vizinhos Rio Grande do Sul e Santa Catarina, é possível prever que pode ocorrer a necessidade de “importar” mais cereal do Mato Grosso e Goiás.

“Podemos dizer que a produtividade do milho no Paraná cresce entre 3% a 5% por safras boas [sem grandes intempéries climáticas]. Então, nosso potencial produtivo em condições normais é de até 17 milhões de toneladas, com 3,5 milhões na primeira e 13 milhões na segunda. Estruturalmente, a questão da oferta e demanda se adequa. Se tivermos um aumento significativo na demanda, temos capacidade de ter milho no mercado doméstico, mas provavelmente a um preço mais alto”, esclarece.

PREÇOS EM ALTA

O analista de mercado Camilo Motter, da Granoeste, explica que o dólar alto somado ao cenário positivo do preço internacional levou a uma condição extremamente favorável à cotação do milho. “A indústria de carnes está tendo bastante dificuldade nesse patamar que está se sustentando [o preço do milho]. Podemos ter uma situação de muitas integrações terem dificuldade nesse primeiro semestre”, analisa.

Motter prevê que só vai haver alguma perspectiva de queda nos preços se houver uma boa segunda safra no Brasil. “Imaginamos que daqui até junho vai se manter alto, talvez até acima dos R$ 70 a saca. E considerando a conjuntura econômica intervencionista do governo, é possível prever que os preços não vão voltar tão cedo a patamares inferiores, de R$ 40, como tínhamos nessa mesma época, no ano passado”, aponta o analista.

As informações são do Sistema Faep

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