Imposto de renda: entenda a obrigatoriedade por trás dos números

Prazo para a declaração segue até o dia 31 de maio

A ação de declarar o Imposto de Renda é uma obrigação vivenciada por uma parcela dos brasileiros. Algumas vezes, os contribuintes esperam até a data do prazo de entrega para concluir a atividade, enquanto outros, já vão se preparando ao longo do ano.

Segundo o contador Adriel Oliveira Jungles, profissional da Villa Nova Contabilidade, esse ato de esperar até o prazo acontece regularmente, “a maioria das pessoas obrigadas a declarar o imposto de renda de pessoa física deixa para declarar ou no último mês, ou até mesmo na última semana do prazo final”, confirma.

Entretanto, essa preparação, que para um grupo pode ser fácil, pode demandar tempo ou dinheiro de outros que não são tão familiarizados com a prática.

Em Prudentópolis, cidade vizinha a Guarapuava, a situação não é diferente. Conforme o Gerente de negócios, Dyego Miguel kaminski, ele é uma das pessoas que deixa para declarar perto do prazo. Em entrevista ao CORREIO, ele explicou que realiza a declaração desde 2013, porém, sempre com o auxílio de um profissional. “Tem uma parte técnica que eu acabei nunca me aprofundando em como fazer. Sempre um amigo meu, que é contador, faz para mim”.

Já para o guarapuavano Sandro Neznek (24 anos), o ponto que o leva a declarar o IR é mais específico. De acordo com o estudante, a obrigatoriedade da declaração neste ano ocorreu por ele ter investido na bolsa de valores em 2020. “Sempre tive vontade de trabalhar sem ter um chefe, ser independente financeiramente. Por isso, comecei a estudar, ver alguns vídeos, ler alguns livros e depois de uns quatro meses só na teoria e observação eu resolvi investir de verdade. ”, comentou o jovem.

Quando questionados sobre o número de pessoas conhecidas que realizam a declaração, a resposta entre os entrevistados foi oposta. Enquanto para o prudentopolitano a prática não é muito usual entre os amigos e colegas de trabalho, para Sandro a resposta é outra. “Muitos dos meus familiares também fazem a declaração anual, mas estes procuram ajuda de profissionais. ”, disse o estudante.

Ainda assim, mesmo que parentes do Sandro realizem a declaração somente por meio de um contador, o rapaz já consegue efetuar a ação sozinho, mas afirma “Já deixei os documentos todos salvos no computador”.

Além das pessoas que investem na bolsa de valores, outras particularidades constituem a obrigatoriedade da declaração. Segundo a Receita Federal, são obrigadas a declarar o IR todas as pessoas que:

  1. Tiveram rendimentos acima de R$ 28.559,70;
  2. Obtiveram receita bruta anual vindas por meio de atividade rural, com valor acima de R$ 142.798,50;
  3. Teve a posse ou propriedade de bens no valor superior R$ 300.000,0;
  4. Optou pela isenção do imposto sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196/2005;
  5. Passou a ser residente no Brasil;
  6. E, que realizou operações na bolsa de valores.

Um ponto que vem interferindo para que haja mais contribuintes a cada ano é a falta de ajuste na tabela utilizada pelo IR. Acerca do assunto, o contador relata que essa desatualização acarreta em um número maior de pagamentos por parte da classe mais baixa. “Como não há uma correção desde 2015, a cada ano com o aumento dos salários há um grande número de pessoas de menor renda entrando na obrigatoriedade do pagamento do imposto”, explicou Adriel.

O profissional também salientou que a falta de conhecimento sobre a legislação é uma das maiores dificuldades encontradas pelos cidadãos. Nesses casos, o contribuinte pode não saber da possibilidade de recuperar o valor retido, ou até mesmo ter o CPF travado pela não entrega da declaração. Quando isso acontece, a pessoa pode ter a conta bancária bloqueada até a regularização e ainda assim pagar uma multa pelo atraso.

Para saber se o CPF está regularizado, a pessoa deve examinar a situação do mesmo através do portal da Receita Federal.

(Foto: Ilustrativa/Freepik)

PRAZO

Neste ano, por causa da pandemia, o prazo da entrega da declaração passou por prorrogação. Inicialmente, a data estipulada era até o dia 30 de abril. Com a mudança, a data da entrega ficou marcada para o último dia de maio (31), uma segunda-feira.

Desse modo, o cidadão que necessitar declarar o Imposto de Renda tem até a próxima semana para realizar a ação e ficar livre de possíveis pendências com a Receita Federal.

*************Reportagem: Samilli Penteado, especial para CORREIO

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