Boletim agropecuário comenta produção de arroz no Paraná

Documento preparado pelo Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, destaca que o produto perdeu espaço, sobretudo, para a soja. Hoje, o arroz está presente em 21,1 mil hectares do território paranaense

O Paraná tinha produção significativa de arroz até meados do século passado. Hoje, o volume está reduzido, mas o produto ainda se estende por 21,1 mil hectares e garante renda para famílias.

Esse é um dos assuntos do Boletim Semanal de Conjuntura Agropecuária, produzido por técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, referente à semana de 9 a 15 de janeiro.

Há duas formas de plantio de arroz: o irrigado e o de sequeiro. O primeiro é mais comum em áreas de várzea, onde a água favorece o desenvolvimento do grão. O segundo é semeado em terras mais altas e secas. Esse fica mais exposto a perdas, sobretudo em razão de estiagens.

Para a safra 2020/21, os produtores paranaenses plantaram 2,6 mil hectares de sequeiro e 18,5 mil em área irrigada. A produção prevista é de aproximadamente 148 mil toneladas, repetindo o resultado da safra anterior. Esse volume não é suficiente para atender a demanda do Estado. Por isso, há necessidade de o arroz vir de outras regiões produtoras, notadamente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Até 1975, o Paraná tinha produção significativa de arroz de sequeiro, com o plantio consorciado ao café. Por ter pouca área irrigada, a entressafra cafeeira era uma boa opção. No entanto, a forte geada ocorrida nesse ano desestimulou a cafeicultura. A rizicultura, que já começava a definhar, seguiu o mesmo caminho. O florescimento da cultura da soja reduziu ainda mais a produção no Estado e nem mesmo o aumento do preço deve estimular uma retomada.

Em dezembro do ano passado, os produtores estavam recebendo R$ 100,00 pela saca de 60 quilos de arroz. Esse valor representa aumento de 56% em relação ao preço de R$ 64,00 pela mesma saca em dezembro de 2019. No caso do varejo, o preço médio subiu até 73%, passando de R$ 15,00 o pacote de 5 quilos para R$ 26,00. É possível que haja uma pequena redução com o início da colheita no final deste mês.

MILHO E SOJA 

O boletim também registra que as lavouras de milho da primeira safra 20/21 começam a entrar na fase final de desenvolvimento, com 13% da área total estimada em 359 mil hectares em maturação e 58% em frutificação. Da segunda safra, 9,2 mil hectares dos 2,34 milhões de hectares previstos já estão plantados.

A soja foi beneficiada com as chuvas a partir de meados de dezembro e 82% das lavouras estão em boas condições, 13% em estado razoável e apenas 3% são consideradas ruins. O percentual é importante se levar em conta que até um mês atrás o volume em condições boas era de 77%.

TRIGO E OUTRAS 

A análise da cultura do trigo destaca o decréscimo de 38% na importação em 2020, em relação a 2019, baixando de 681 mil toneladas para 422 mil. Isso mostra que há produto regional disponível e que os moinhos devem usar o trigo paranaense, mantendo a qualidade da farinha.

O documento fala ainda sobre as vendas externas brasileiras do segmento de fruticultura, durante 2020, que alcançaram 1 milhão de toneladas com US$ 1 bilhão de receitas. Em suinocultura, também é feita análise sobre a exportação brasileira e paranaense, que conseguiu um recorde de 136,7 mil toneladas.

Também há registro sobre o comércio internacional em relação à pecuária de corte, produtos lácteos e ovos. Por fim, o boletim semanal aborda as condições da lavoura de feijão e fala sobre a produção brasileira e paranaense da batata-doce.

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