Veloz e furioso! – um perfil sintético de Sal Buscema

Conhecido principalmente pelo trabalho na Marvel Comics, Sal Buscema é um artista que se consagrou pelo traço explosivo e rude, adornado pelas clássicas onomatopeias (“Pow”, “Throom” etc.) em cenas de luta de alta combustão e impacto

Pow! Throom!! Kwaadoom!!! As clássicas onomatopeias de quadrinhos praticamente definem a arte de Sal Buscema nos comics de super-heróis. É um desenho explosivo, rápido e furioso.

Não à toa, um grupo de Facebook utiliza o nome “Sal Buscema Pow!” para homenageá-lo nesse espaço virtual. Diariamente, seus mais de 5 mil membros postam reproduções de páginas e capas desenhadas por esse artista norte-americano, que é irmão de outro famoso no traço, John Buscema (de “Conan”, entre outros).

Nascido como Silvio em 26 de janeiro de 1936, no Brooklyn (Nova York), Sal se tornou famoso pelo traço rude, simples e explosivo nas páginas da Marvel Comics, a casa de personagens como Homem-Aranha, Hulk, Capitão América, Vingadores etc. Aliás, o artista já emprestou seu nanquim para quase todos esses heróis.

Segundo o grupo “Sal Buscema Pow!”, Sal era conhecido pelo apelido “Our Pal Sal” (“nosso amigo Sal”, em tradução livre) na antiga Bullpen Bulletins, um espaço de notícias utilizado pela Marvel para se aproximar de seus leitores em suas revistas de linha no século 20.

Ler uma HQ desenhada pelo Silvio “Sal” Buscema é se deparar com cenas impactantes de ação, em que os personagens dão socos que fazem o adversário “voar”, em explosivas onomatopeias. Principalmente se tiver a força bruta do Hulk, criatura verde que passou pelas mãos de Sal.

A impressão é de que a página vem ao encontro do leitor, com sua vivacidade e dinamismo. Principalmente, claro, nas cenas de luta, que são muito comuns nos comics de super-heróis. A pancada é ilustrada por cores vivas, sinal gráfico de explosão e a consequente queda.

Hoje em dia, esse tipo de desenho ficou datado. As páginas atuais são menos exageradas e mais verossímeis. Porém, o desenho de Sal ainda é válido e impressionante. Se não fosse assim, ele não teria uma legião de fãs nas redes sociais.

Nas cenas de luta desenhadas por Sal, os personagens “voam” depois de levarem um grande golpe (Foto: Reprodução)

ORIGEM
O quadrinista norte-americano Sal Buscema começou sua carreira em 1968 como arte-finalista de seu irmão mais velho, John. Em pouco tempo, Sal foi desenhar a equipe de super-heróis “Os Vingadores” e pelos próximos 30 anos ele foi um dos artistas mais prolíficos na Marvel, com trabalhos em títulos como “Homem-Aranha”, “Capitão América”, “Hulk”, “Thor” e “Amazing Spider-Girl”, entre outros.

Com o hábito de dar arte-final em seu próprio trabalho, Sal mudou-se para a editora DC em 1996, arte finalizando Ron Frenz em “Superman”. Ele também desenhou Batman e Superboy, colorindo as histórias de Creeper, Wonder Woman e outros personagens de 1997 a 1999.

Em 2012, Buscema fechou contrato com a IDW para desenhar “G.I. Joe Annual” e a “Dungeons and Dragons: Forgotten Realms”, trabalhos pelos quais recebeu diversos prêmios.

Em 2009, o artista foi homenageado no livro “Sal Buscema: Comics’ Fast & Furious Artist”, escrito por Jim Amash e Eric Nolen-Weathington.

Com 192 páginas repletas de reproduções de páginas de HQs, pin-ups e artes originais, além de outros atrativos visuais, por meio de uma longa entrevista a publicação narra a vida e a obra do quadrinhista que retratou Hulk, Homem-Aranha, Vingadores e muito mais personagens da “Casa das Ideias” em histórias que se tornaram antológicas.

Sal Buscema, em foto antiga (Foto: Divulgação)

BALANÇO
Ao longo de sua trajetória, Sal Buscema participou das histórias mais memoráveis da Marvel, como a guerra original dos Vingadores/Defensores, bem como “The Secret Empire Saga” e o arco Nomad em as páginas do Capitão América.

Ele também teve uma temporada de dez anos no “The Incredible Hulk” e desenhou 100 edições consecutivas do “Spectacular Spider-Man”, tornando-o um dos poucos artistas definitivos da Idade do Bronze.

Página com sequência desenhada por Sal Buscema (Foto: Reprodução)

*************Texto: Cris Nascimento, especial para CORREIO; Foto: Reprodução

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