O Natal de Columbus (e Hughes): 30 anos de ‘Esqueceram de mim’

Em 21 de dezembro de 1990, o filme “Esqueceram de mim” estreava no mercado brasileiro, repetindo o sucesso internacional. Nesta época natalina de 2020, vale a pena recordar e (re)ver esse longa-metragem trintão

Tradicionalmente, o mês de dezembro é reservado para as estreias dos chamados filmes natalinos. Ou seja, produções norte-americanas que se passam durante o Natal, seja para amá-lo, seja para odiá-lo.

Esse costume já foi mais forte no passado. Hoje, com boa parte dos cinemas fechados em todo o mundo por conta da pandemia de covid-19, a tradição tem se mantido no streaming. Plataformas como a Netflix apostam suas fichas nesse tipo de produção.

Uma das mais recentes é “Crônicas de Natal 2” (2020), que tem o veterano diretor/roteirista Chris Columbus no comando. Curiosamente, é o mesmo cineasta por trás do sucesso “Esqueceram de mim” (1990), clássico da Sessão da Tarde que completa neste mês 30 anos de seu lançamento no circuito brasileiro.

Em 21 de dezembro de 1990, o público nacional teve a oportunidade de conhecer o longa-metragem estrelado pelo talento mirim Macaulay Culkin. Ele rouba a cena como a criança que é esquecida pelos próprios pais durante as comemorações do Natal em Chicago (EUA). Sua família planeja passar a festividade em Paris (França).

Em meio às confusões da viagem, Kevin (Macaulay Culkin) acaba esquecido em casa. O garoto de apenas oito anos é obrigado a se virar sozinho e defender a casa de dois insistentes ladrões, vividos brilhantemente pelos atores Joe Pesci e Daniel Stern.

Com roteiro de John Hughes (1950-2009), que é responsável por aventuras juvenis marcantes dos anos de 1980 (caso de “Curtindo a vida adoidado”), a grande sacada do filme de Columbus é o humor físico pastelão, calcado em gags de desenhos animados. O riso surge a partir de situações de pancadas e golpes, mas sem machucados mais graves. Lembra aquelas cenas ao estilo Tom & Jerry ou Pernalonga, em que o vilão apanha e não se machuca, estando pronto para a perseguição seguinte.

Capa da versão em DVD. O pequeno Kevin precisa enfrentar os “bandidões” vividos por Pesci e Stern (Foto: Divulgação)

REPERCUSSÃO
Em 21 de dezembro de 1990, nota publicada no jornal O Estado de S.Paulo chamava atenção para “Esqueceram de mim” (“Home Alone”, no título original), que estrearia naquele dia no Brasil.

O texto informava que o longa-metragem de Columbus havia passado antes nos cinemas americanos, batendo recordes de bilheteria. Inclusive, nocauteou o “Rock V” de Sylvester Stallone naquele momento. Nem precisava tanto, pois este é o pior filme da franquia do boxeador.

Engraçado que o material do Estadão diz que o personagem Kevin precisa dar uma de “Rambinho” para defender sua casa, numa alusão a outro personagem famoso de Stallone (“Rambo”).

Detalhe da página do jornal O Estado de S.Paulo de 21 de dezembro de 1990 (Foto: Reprodução)

Mas, no final das contas, quem ajuda o menino é um vizinho velhinho com cara de vilão. “Depois se revela uma peça muito importante nesta história que está sempre recorrendo a linhas tortas – violência, agressões, sustos – para celebrar valores humanos e familiares tradicionalmente identificados com o Natal, época em que se desenrola a ação”, diz a nota do jornal.

“Esqueceram de mim” não é exatamente um filme clássico natalino. No entanto, o tema está na superfície e tem importância para o conjunto todo.

ENGRAÇADINHO
Em suma, é um filme “engraçadinho”, na definição dada pelo Estadão em 1990. Isto graças ao talento natural de Macaulay Culkin, cujo carisma fez muito sucesso no público brasileiro. Com o passar dos anos, “Esqueceram de mim” se tornou um clássico das antigas videolocadoras e figurinha fácil da TV aberta.

Aliás, o filme foi uma das maiores bilheterias daquele ano, arrecadando mais de US$ 470 milhões ao redor do mundo – um feito notável, ainda mais frente ao pequeno orçamento de US$ 18 milhões.

************Texto/pesquisa: Cris Nascimento, especial para CORREIO

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