Boletim agropecuário aponta retração de 9% na produção de café paranaense

Documento preparado pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, mostra que, além de ser um ano de natural redução na produção (bienalidade negativa), também houve severa estiagem. Preços pagos aos produtores permanecem em alta

A produção paranaense de café na safra 2021 deve ter uma redução de 9% em comparação com o ciclo anterior. Isso se deve à bienalidade negativa da cultura (queda natural da produção após uma safra anterior muito produtiva) e à severa estiagem do ano passado. A análise está no Boletim de Conjuntura Agropecuária, feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, referente à semana de 22 a 28 de maio.

O último levantamento realizado pelos técnicos do Deral aponta que o Paraná deverá produzir 873 mil sacas de café, redução de 9% em relação à produção do ano passado. A área coberta com cafeicultura está estimada em 33,3 mil hectares, uma perda de 4% em comparação com a extensão do ciclo anterior.

Em termos nacionais, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que serão produzidos 49 milhões de sacas de café beneficiado, o que representa redução de 23% em relação a 2020, quando atingiu o recorde de 63,1 milhões de sacas.

A menor produção já era esperada em razão da bienalidade negativa da cultura. Ou seja, a planta apresenta produtividade expressiva em uma safra e, na próxima, há uma queda natural devido à necessidade que o vegetal tem de se recompor. No entanto, na atual safra somou-se a longa estiagem nas principais regiões produtoras.

No Paraná, já foram colhidos, em média, 3% do café das principais regiões produtoras. A partir de agora, esse trabalho deve se intensificar, com maior concentração em julho.

No campo, 47% das lavouras estão em fase de frutificação, enquanto 53% atingiram a maturação. Esse processo foi acelerado pela falta de chuvas entre o final de março e a primeira dezena de maio. Isso pode afetar também a granação em lavouras mais novas.

O ponto positivo é que as cotações no mercado físico permanecem em alta. Nos últimos doze meses, o preço médio recebido pelos produtores paranaenses valorizou-se 39,8%. O mês de maio está fechando com valor de R$ 719,61 a saca. No mesmo período de 2020, estava em R$ 514,70.

FRUTAS E FEIJÃO – O boletim registra, ainda, que maçã, banana, mamão, laranja e manga foram as cinco frutas mais comercializadas nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa) em 2020. Das 575,5 mil toneladas transacionadas e dos R$ 1,6 bilhão negociado, elas respondem por 49,5% em volume e 49,4% em valores.

Sobre o feijão, o registro é de que a segunda safra foi muito prejudicada durante o ciclo vegetativo pela falta de chuvas. Em razão disso, a estimativa é de redução de 38% em relação ao inicialmente projetado. Em vez de 502 mil toneladas, deve resultar em 310 mil toneladas.

OVINOS E FRANGOS – Os preços da carne ovina no varejo paranaense apresentaram queda de até 9% em maio, se comparados com janeiro. Uma das explicações apontadas no boletim é a redução no consumo durante a pandemia, o que provoca consequente queda no preço dos cortes.

Na avicultura, os preços também tiveram um recuo em abril nos três níveis: produtor, atacado e varejo. Para o produtor é preocupante, visto que os custos de produção, particularmente os principais insumos da alimentação (milho e farelo de soja), tiveram alta.

OUTROS PRODUTOS – O documento preparado pelos técnicos do Deral analisa, ainda, as culturas de milho, soja e trigo. No caso do milho, houve revisão nos números de produção da segunda safra, com redução de 4,4 milhões de toneladas (30%) se comparado à previsão inicial.

Para a soja, a previsão também é de recuo na produção do ciclo 2020/21. Até agora, a perda é de 4%, com a nova estimativa apontando para 19,76 milhões de toneladas. Sobre o trigo, o registro é de que o plantio avançou para 58%, colocando-se na média dos cinco anos anteriores neste período.

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