Agrotóxico dizima abelhas de apicultores do município do Turvo

Um laudo técnico do Tecpar apontou o agrotóxico fipronil em amostras coletadas de abelhas mortas, abelhas vivas, favos e em plantas de nabo forrageiro utilizado como cobertura de inverno em uma área próxima aos apiários

Uma investigação realizada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná – Gerência de Sanidade Vegetal (Adapar-GSV) de Guarapuava, no município do Turvo, revelou que cerca de 40 caixas de abelhas de apicultores do município morreram envenenadas por agrotóxicos, em setembro deste ano.

Ao inspecionar seus apiários, produtores da Colônia Velha do Ivaí encontraram suas abelhas dizimadas. Estavam mortas dentro e fora das caixas, e com a “língua” para fora. “Algumas abelhas que ainda restavam vivas de um dos apicultores encontravam-se desorientadas e sem reação alguma”, relata a Adapar.

Nessa comunidade, predominam as pequenas propriedades, com mão de obra familiar, que cultivam olerícolas e fruticultura e, neste caso, a apicultura contribuía para o sustento das famílias afetadas.

Os apicultores do Ivaí, juntamente ao agrônomo da Secretaria de Agricultura do Turvo, reagiram e conseguiram um laudo técnico do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) que apontou o agrotóxico fipronil em amostras coletadas de abelhas mortas, abelhas vivas, favos e em plantas de nabo forrageiro utilizado como cobertura de inverno em uma área próxima aos apiários.

DENÚNCIA
No dia 10 de setembro, após receberem denúncia sobre a mortalidade das abelhas, as engenheiras agrônomas, fiscais da Adapar, foram até o local e realizaram as coletas para serem enviadas ao Tecpar, e iniciaram a investigação.

Ocorreu que, um agricultor utilizou o inseticida de nome comercial Marathon 800WG (fipronil) em jato dirigido no sulco de plantio para o controle de vaquinha (Diabrotica speciosa) no momento da semeadura do milho.

“Porém, haviam plantas do nabo forrageiro ainda com flores. No momento em que a semeadora passa, a planta de nabo ‘tomba’ ao solo, entrando em contato com o agrotóxico. Assim, as abelhas que ainda estavam visitando as flores do nabo foram intoxicadas e voltando às colmeias, contaminaram o enxame todo”, explica a Adapar.

Após receberem denúncia sobre a mortalidade das abelhas, as engenheiras agrônomas, fiscais da Adapar, foram até o local (Foto: Adapar)

LEGISLAÇÃO
De acordo com a agência, a legislação é clara quando afirma que as responsabilidades administrativa, civil e penal pelos danos causados à saúde das pessoas e ao meio ambiente, quando a utilização de agrotóxicos não cumprir o disposto na legislação pertinente, caberão ao usuário quando proceder em desacordo com o receituário ou as recomendações do fabricante. Assim, o produtor que causou o dano foi autuado.

Nesse sentido, a recomendação é que os agricultores leiam atentamente a bula, rótulo e o receituário agronômico do agrotóxico que adquirirem.

De acordo com a Adapar, na situação ocorrida em Turvo, na bula e no receituário estava a informação de que o produto é tóxico para abelhas.

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